Ao Som da Chuva

Agosto 06 2008

 

 

A mocidade passou. As recordações ficaram. É só fechar os olhos e a minha vida roda como um filme. Um filme a cores daqueles de príncipes e princesas. Anjos bons e demónios. Tantos personagens participaram nesta metragem. Belos cenários, episódios, cenas giram: Festas, aulas, brincadeiras…

E nos maus momentos também, Risos e Choros. Concluo que a vida é uma aprendizagem continua. Dia a dia vai-se subindo de degrau. Em cada um encontramos alguém dando-nos a mão e muita força.

Desde pequena segui com a ajuda dos meus pais, avós, padrinhos, tios, professores… todos aqueles que me amavam. Se tropeçava lá estavam levantando-me. Cuidando de mim. Ensinando como devia andar. O que estava certo e errado. Como criança dócil poucas vezes desobedecia.

Ao longo dessa grande caminhada, muitos amigos apareceram para tornar a caminhada menos árdua. E foram tantos! Alguns permaneceram a meu lado até hoje. Outros ficaram parados nalgum patamar. As asas do destino ou não sei o quê separaram-nos. Bastantes tombaram para sempre desses degraus. Nunca mais os vi. Aqueles que mais me ampararam, não estão ao meu redor. Olho para a direita, para a esquerda, para trás e não os vejo na escada da vida. Só em sonhos me visitam. Fico tão alegre e satisfeita ao ouvir suas vozes! Depois resto triste por apenas os poder contemplar nas minhas noites, não nos meus dias.

E continuo subindo. Os meus olhos não conseguem alcançar o fim dessa escadaria. Não sei se falta muito percurso para terminar este passeio. Ás vezes sinto-me cansada! Apetece-me descansar. Noutras surge a força e a alegria suficientes para continuar.

Costumo dizer que a vida corre como um fio de água num regato, desliza sem sentirmos. Com as noites uns dias morrem, com as manhãs outros nascem. E cada um é uma surpresa.

 

Epifânia Palindra

 

publicado por DN às 11:33


Dora, tive o privilégio de ler este texto na sua versão total e digo-te já que o mesmo é um espectáculo.
Apetece-me cerrar os olhos e deixar-me embalar pela doçura, carinho e emoção que encontro nestas palavras. Vogar saboreando a força das mesmas, transpor degraus, mais degraus e mais degraus. Chegar também mais perto da luz, da claridade, tocar-lhe com os dedos, incendiar o meu coração com ela e despejá-la em pequenos flocos sobre todos aqueles que sentem o peso da escuridão. Estas palavras fazem-me sonhar…Sonhar que também todos os meus pássaros se vão libertar das suas gaiolas e que as suas asas não esbarrarão nas grades da vida. Que eles vão voar cada vez mais alto tocando o céu, pousando nas amendoeiras, dando cor ao mar, trazendo consigo gaivotas de paz. E então em cada degrau haverá uma força a puxar-nos: num um ribeirinho a correr, noutro uma criança sorrindo, mais acima uma flor oferecendo-nos as suas pétalas, mais acolá um coração amigo de braços abertos. E então galgaremos os degraus sorrindo, esperando pelo próximo, gozando-os, apreciando-os, saboreando-os um a um.
Guardaremos a chave bem apertada na mão e quando chegarmos ao último abriremos a porta. Lá dentro as flores, as nossas flores, não deixarão de nos sorrir…




VITOR BARROS a 6 de Agosto de 2008 às 17:13

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