Ao Som da Chuva

Março 14 2008

 

Não olhem para mim assim

Não sou o sol que vos aquece

Nem a noite que vos acossa

Não olhem para mim assim

Que o meu brilho não vos cegue

Que a minha sombra

Não vos gele os ossos

Que a minha fome não vos alimente

Nem que a minha sede vos afogue

Porque eu não sou nada

Nem o mapa, nem o caminho

Nem a berma da estrada

Nem a lua

Nem o burburinho da rua

E mesmo que esteja em todo o lado

Não estou em parte nenhuma

Porque eu não sou nada

Mas de todo esse nada que não sou

Se algo tiver que ser

Que seja a pedra da calçada

Que seja a areia que vos leva ao mar

Que seja a brisa a navegar…

 

Pequeno excerto do poema “Não olhem para mim assim”

de Luís Alberto Nunes

publicado por DN às 17:33
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