Ao Som da Chuva

Julho 21 2008

 

O que resta de mim!
O que resta de mim são pequenos fragmentos,
Qual bolhas espalhadas pelos ares,
Sopradas por singelos lábios,
Que um dia ainda sonho tocar.
Encontro-me caída, despida de vestes e forças,
À espera de mãos com dedos longos,
Que serão capazes de me levantar.
Meu coração cambaleia, bate descompassado,
Tenta acompanhar meus passos,
Para não permitir que a distância os separe,
Levando cada um para um lugar.
Volto meu olhar para as bolhas que são levadas pelo vento,
Cujo caminho a percorrer é tão intenso,
Que quase é impossível um ser humano trilhar.
E ali fico concentrada, braços estendidos, mãos abertas,
Olhando o sopro do vento,
Levando as bolhas cada uma para o seu lugar.
Muitas se perderam pelo caminho,
Não tiveram força, e em seu destino não conseguirão chegar.
Mas muitas foram fortes,
Suportaram o vento, o frio, o calor e até a chuva,
Vão realizar o seu sonho quando o seu destino chegar.
Tomara que o resto de mim esteja em uma destas bolhas,
Protegidas pelo tempo,
À espera do melhor momento para a terra regressar.

Dorival Gaspar

publicado por DN às 00:02

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