Ao Som da Chuva

Setembro 11 2009

 

Tantas são as pessoas que vivem, paredes meias, com a solidão…

No fundo, somos todos iguais. Gente desenhada pelos contornos da vida, rasurada, riscada pela adversidade...

A solidão quando se apodera de um coração gera raízes e torna-se num vício.

Solidão busca solidão e, quanto mais nos isolamos, à medida que o tempo passa, mais isolados queremos estar. Quando, finalmente, as pessoas descobrem que a solidão é a sua companhia, o rosto emudece, a alma desanima e uma profunda mágoa parece dominar o pensamento.E, quando a noite se avizinha, os seus corações se toldam, por terem de defrontar mais um instante de solidão.

A minha está aqui, é com ela que vivo. E nos momentos que me visita, deito-me no leito dessa quietude e deixo-me levar pelo carpido do silêncio. Nada mais se faz senão aceitar e partilhar aquele momento. Vencida por ela, passo os braços pelo silêncio e aperto-o de encontro ao meu peito. Sinto o respirar lento e compassado. É um som incomparável, mas ao mesmo tempo audaz e perverso, porque destroça a força da alma. E o silêncio deixa de ser silêncio para ser um baque surdo, cadenciado, ritmado. No entanto, num abraço vão e ingénuo, simplesmente num abraço de silêncio compartilhado, a escurecer em lentos tons do anoitecer, já o tecto se aparta de mim e me abandona, entregue que fico à noite calada. A mansidão se encolhe contra mim e me toma. Então passa a ser dor e algo que corrompe. É como um estar sem vida, sem idade, sem tempo. Apenas nos habita numa eterna cumplicidade. E a escuridão cai sobre tudo e nos envolve como teia. A solidão faz parte do ser humano e creio que o seu valor se traduz na capacidade de nos fazer reencontrar, de nos fazer reconhecer a importância de um amigo, de nos fazer enxergar certas coisas, até então, invisíveis aos nossos olhos. É este o preço de uma vida solitária.


mais sobre mim
Setembro 2009
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
12

13
15

20
22
24
25
26

27
28
29
30


pesquisar
 
subscrever feeds
blogs SAPO