Ao Som da Chuva

Março 07 2008

 

 

Na primeira noite, eles aproxima-se e colhem uma flor do nosso jardim.

E não dizemos nada.

 

Na segunda noite, já não se escondem, pisam as flores, matam o nosso cão.

E não dizemos nada.

 

Até que um dia, o mais frágil deles, entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.

 

E porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada.

 

Eduardo Alves da Costa 1985

 

 

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

 

Bertold Brecht (1898-1956)

  

 

 

 

 

Um dia vieram e levaram o meu vizinho que era judeu.

Como não sou judeu, não me incomodei.

No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista.

Como não sou comunita, não me incomodei.

No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.

Como não sou católico não me incomodei.

No quarto dia, vieram e levaram-me;

Já não havia ninguem para reclamar...

Martin Niemöller, 1933

 

   

 

 

 

Primeiro eles roubaram-nos nos sinais, mas não fui eu a vitima,

depois incendiaram os autocarros, mas eu não estava neles;

Depois fecharam ruas, onde não moro;

Fecharam então o portão da favela, que não habito;

Em seguida arrastaram até à morte uma criança, que não era meu filho...

Cláudio Humberto, em 09 de Fevereiro de 2007

 

 

 

 

 

Até quando ficaremos calados, à espera que chegue a nossa vez?

Até quando deixaremos de viver de costas voltadas?

Até quando teremos coragem de lutar por causas que não são nossas mas poderão vir a ser?

Até quando deixaremos de viver centrados em nós próprios?

Cada um pode fazer uma pequena parte...

Cada um de nós é apenas uma gota num oceano...

mas juntos poderemos formar, não sei, talvez um rio :p

 

publicado por DN às 13:41
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O poema acima é intitulado “No Caminho com Maiakowsky”, e é de autoria do poeta brasileiro Eduardo Alves da Costa (Escrito em Niterói,RJ em 1936), e está equivocadamente atribuído ao poeta russo, embora feito em sua homenagem. É uma síntese do pensamento revolucionário, da ideologia libertária que marcou a vida de Maiakowsky, mas não de autoria de Maiakowsky.

Vale lembra que este é apenas um fragmento da poesia, que é bem maior.

É compreensível que vc tenha se enganado, pois em vários lugares da rede o poema consta como se fosse do poeta russo.

Sugiro, entretanto, que você cheque a minha informação e altere o registro de autoria. É uma poesia legitimamente brasileira e o crédito deve ser dado a quem de direito, concorda?

Um abração,

George

George Vogel Beresford a 30 de Agosto de 2008 às 01:39

Tem toda a razão. foi uma grande falha... mas este texto foi-me enviado por e-mail já com a informação trocada.
de qualquer maneira obrigada pela dica.... :p
DN a 30 de Agosto de 2008 às 12:50

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